TUTORIAL: Som de guitarra estilo Foo Fighters
(tutorial traduzido do site: www.accordo.it por Roberto Gallo Salsotto e Helyton Camargo)

Apesar do excelente songwriting e da grande personalidade de Dave Grohl, a banda Foo Fighters representou também, uma das referências mais copiadas na produção, gravação de guitarras no rock e no alternative. Ghrol e os seus Foo Fighters gravaram alguns dos albuns rock mais intensos e poderosos dos últimos 15 anos, e conseguiram abraçar, graças a um som totalmente construído sobre as guitarras, a velocidade do punk com a potência e precisão do metal, misturando com escuras digressões grunge e alguns elementos pop.
Exceto para o álbum de estréia da banda que, como produção, não acrescentou muito ao que já foi expresso por Nirvana, a partir do álbum sucessivo "The Colour And The Shape", provavelmente a obra-prima da banda, os Foo Fighters continuaram a impressionar pela qualidade de suas produções.
E nós, inspirados pelo som desse álbum, decidimos analisar a criação de uma parte de guitarra estilo Foo Fighters. Surpreenderá os menos experientes a descobrir que uma parede e uma massa de sons como essa, não vem de acordes complicados ou de sons potentes, mas é a soma exata de muitas partes pequenas de guitarra diferentes e complementares.

 
 

A harmonia desta parte (um refrão ideal) se compõe de apenas dois acordes: Dm para dois compassos e Bb para dois outros compassos.. A tonalidade poderia ser do F maior onde Bb e Dm são, respectivamente, sexto e quarto grau.
O baixo marca os acordes tocando com palheta em oitavos e limitando-se praticamente à tônica, o tipico Rock pescado do punk . Vamos começar escutando só a seção rítmica.

Ex. 1)
clique aqui para ouvir o exemplo 1
 

As primeiras guitarras que serão feitas, serão as básicas: as mais pesadas, poderosas e envolventes. Tocarão power chords com distorção no 1 tempo de cada compasso.

A guitarra é afinada em Drop D e, em seguida, sobre o acorde de Dm, aproveitaremos a corda solta.
O power chord de D é rebatido mesmo na décima segunda casa, uma oitava acima.

.
 
 

Vamos usar uma guitarra poderosa, estritamente com o humbucker na ponte. O ideal seria uma Les Paul conectada em um amplificador de alto ganho como Mesa Rectifier.

Ex. 2)
clique aqui para ouvir o exemplo 2
 

Agora dobramos esses Power chords sempre com um som distorcido, e ainda com uma guitarra com humbuckers. Usar uma outra guitarra e com um som  um pouco diferente, enriquecerá o timbre . Neste caso, imaginamos  usar uma outra Gibson, talvez  uma SG. O som vai ser agressivo do mesmo jeito, mas com mais ataque e um som mais aberto. Escolheremos um timbre de distorção sempre muito pesado, mas menos moderno. Será perfeita a distorção clássica de um Marshall. Tocaremos acordes num  registo mais elevado, com a tônica sobre a corda A. Enriqueceremos os acordes com a segunda guitarra tocando Dsus2 e Bbsus2.

 
 
Escutamos a parte sozinha
Ex. 3)
clique aqui para ouvir o exemplo 3
 

Vamos adicionar as duas partes gravadas para formar a nossa "parede" de guitarra. Teremos as mais pesadas (as primeiras com afinaçao de Drop D) mais altas na mixagem. As outras, com voicing de Sus2, completarão o som das primeiras com o intervalo de segunda que dará um caractere mais épico e dramático a parte.
Numa audição superficial, aparecerá como uma única guitarra com som potente.

Ex. 4)
clique aqui para ouvir o exemplo 4
 
 
 

A esse ponto, uma vez construído o muro de guitarras distorcidas, é hora de fundir o mesmo com o baixo. Iremos realizar com um som crunch, as oitavas com leve palm mute, que dobram o movimento do baixo. Esta é uma parte muito importante de guitarra, porque é o que dá o groove ao trecho.


 
 

Tocar oitavas com  precisão, perfeitamente sincronizados ao baterista, é um dos desafios mais insidiosos para um guitarrista em um estúdio de gravação. Nós gravamos estas partes usando um som de guitarra com muito ataque. Excelente seria uma Telecaster com pick up na ponte, conectada antes em um Overdrive e posteriormente em um Combo valvulado. Vamos ouvir apenas a seção rítmica com as oitavas que se sobrepõem.

Ex. 5)
clique aqui para ouvir o exemplo 5
 

Abrimos todas as guitarras. A percepção será que as paredes imponentes distorcidas agora mantem o tempo e se juntam com à bateria graças as oitavas distorcidas.

Ex. 6)
clique aqui para ouvir o exemplo 6
 

Vamos agora criar algumas guitarras com o som mais característico do Foo Fighters. Se as guitarras feitas até agora foram  tipicamente rock e punk, aquelas que vamos adicionar agora fazem emergir a componente mais "alternative" e "grunge" da banda. Dobramos as oitavas, mas esta vez se concentrando só sobre as 3 cordas finas. Sobre D tocaremos um simples  Dm e sobre Bb, um Bbsus 2. As três cordas finas com  som de chocalho, irão criar um som mais coeso entre as partes e trarão maior harmonia ao trecho.

 
 

Um dos amplificadores mais usados pelo Foo Fighters, é o Vox Ac30. Combinado com  uma guitarra com single coil (uma Strato o a Tele usada antes) nos dará o som perfeito: um clean  levemente agressivo.
Vamos escutar a parte sozinha, juntos com baixo e bateria.

Ex. 7)
clique aqui para ouvir o exemplo 7
 
e agora, "tudo junto"
Ex. 8)
clique aqui para ouvir o exemplo 8
 

E por cima de tudo, inserimos um verdadeiro trademark tipico do Foo Fighters. Vamos criar uma pequena melodia que marca a mudança de acordes, construídos em simples bicordes duplos. A rítmica dessa parte em oitavas  alternadas com  pausas de oitavas soará seca, agressiva e arrastará o groove de uma maneira incrível.

 
 
Fazer esse trecho sobre uma enorme camada de guitarras, provavelmente será o som mais difícil de criar. Vamos tentar criá-lo novamente com o Vox AC30, com um Overdrive. Para esse híbrido o mesmo riff foi captado com uma típica 335 Epiphone semi-acústica e uma Stratocaster. A parte é reforçada com um leve tape delay que mistura o som e faz com que seja um pouco mais aveludado. Escutamos a parte de baixo e bateria
Ex. 9)
clique aqui para ouvir o exemplo 9
 

Abrimos todas as guitarras. Incrível ilusão que nos faz  perceber como protagonista a ultima guitarra, aquela que você acabou de gravar, que é a menor em termos de som. Entretanto, com uma construção de arranjo bem pensada, parece ser uma guitarra enorme e provavelmente aos ouvidos de um novato pode até parecer a única.

Ex. 10) - audio masterizado -
clique aqui para ouvir o exemplo 10